Mari vai para a creche!

Quando a Mariana nasceu eu assumi os cuidados com ela em praticamente 100%. Na época meu esposo, além de trabalhar o dia inteiro, fazia faculdade a noite, 4 vezes na semana. Quando ele podia e tinha disposição, fazia alguma coisa. Quando a Mari completou 6 meses as aulas dele ficaram apenas 2 vezes na semana e aí ele assumiu algumas tarefas com ela.

Não que ele nunca tenho feito nada, ele sempre trocou uma fralda, passeou com ela, cuidava para eu poder tomar um banho. Mas as madrugadas sempre foram somente minhas com ela. A Mariana mama no peito e então era sempre o papo de que bebê chorou, então quer mamar. Mas nos primeiros meses a Mari era uma bebê muito fácil de cuidar. Ela dormia bem e quase não chorava. Eu tinha muito leite e ela vivia de barriguinha cheia.

Acontece que, à medida em que ela foi crescendo, começou a demandar cada vez mais atenção. Quando ela era pequeninha, levava o carrinho para a cozinha e lavava toda a louça. Agora com 1 ano e dois meses a Mariana simplesmente engatinha até a cozinha e chora muito, puxando a barra da minha calça e pedindo atenção. Não quer ficar no carrinho, lógico. Para eu conseguir limpar a casa eu precisava recorrer à televisão.

Aí vem a velha companheira de todas as mães: a culpa. Eu sempre imaginei que eu iria conseguir me organizar para manter os meus afazeres em casa (que não são poucos) em dia e ainda ter tempo de dar a ela a atenção que ela merece. Mas na prática tudo foi ficando muito diferente. Um exemplo: a Mari come na cadeira de alimentação e eu estimulo que ela coma sozinha, o que significa muita sujeira. Se a menina faz 6 refeições no dia, eu limpo a cadeira e o chão da sala as 6 vezes!

No meio desse caos a empresa em que meu esposo trabalha começou a oferecer o benefício do auxílio creche, um valor considerável para ajudar na educação das crianças. De cara ele veio com a ideia, mas eu rejeitei. No ano passado eu visitei vários berçários aqui perto de casa e nada me agradou de verdade. E esse ano eu mandei meu currículo pra tudo que é lugar e ninguém me chamou. Se eu não estou trabalhando fora, não devo mandar a minha filha para a creche, né? Era assim que eu pensava.

De tanto ele insistir nesse assunto e diante do meu cansaço físico do dia a dia, somado às noites pouco dormidas, decidimos visitar uma das creches que eu tinha menos odiado entre as que eu conhecia. kkkkkk Lá foi uma mãe descrente e um pai esperançoso. Chegando lá a pedagoga foi muito simpática e mostrou toda a escolinha pra gente e inclusive o espaço que eles estavam inaugurando esse ano: as novas salas de berçário. Salas limpas, coloridas, arejadas, com brinquedos, tapetes e bercinhos. O coração de mãe apertou diante da empolgação do pai. kkkk Decidimos que na semana seguinte levaríamos a Mari para uma experiência.

Na segunda feira fomos com a menininha de recém completados 14 meses. Deixamos na sala com a professora e ela deu uma choradinha. Não foi um choro desesperado, mas algo do tipo, cadê meu pai e minha mãe? Ficamos do lado de fora espiando e passada essa fase, a Mari começou a explorar a sala muito curiosa e a se aproximar das outras crianças. Ficamos na escola durante 1 hora e a Mari saiu de lá bem, sem escândalos.

No segundo dia ela ficou na escola por uma hora e meia. No outro ficou 2 horas e gradativamente fomos aumentando o tempo dela no novo ambiente. Em casa o comportamento dela quase não mudou. E na escola ela simplesmente começou a demonstrar interesse pelas atividades e não chorava. Ela curtiu o lugar. Eu fiquei de queixo caído porque eu imaginava que a minha menininha iria chorar muito por causa da mamãe aqui. Mas não! Ela ficava bem, lanchava, jantava, fazia cocô, brincava.

Passada a semana de adaptação, iniciamos hoje a rotina escolar dela no horário normal da turminha: das 13:30 às 18h. Fomos à escola e na porta da sala ela simplesmente apontou pra dentro e fazia um sinal com a mão, o sinal que ela faz quando quer alguma coisa. A professora veio, ela deu os braços para ela e foi numa boa. Eu disse tchau, dei um beijo, papai também. Saímos de lá felizes com a tranquilidade da nossa filha.

Ela se sente segura nesse novo espaço. Mesmo longe de mim eu vejo que está sendo bem cuidada. Ela demonstra gostar da creche, daqueles momentos de brincadeira, interação e estímulos. O momento que eu mais temia chegou: não consigo dar sozinha para ela tudo de que ela precisa. Mas ao contrário do que eu pensava, a creche me trouxe tardes de respiro, onde eu limpo a casa e vou ao supermercado sem correria, tomo um banho mais demorado, ouço música alta. E pra ela trouxe novas experiências.

Aprendi que posso não ser uma super mãe, que isso é normal. Que uma mãe que não trabalha fora pode por o filho na creche e isso não significa que ela seja uma preguiçosa e egoísta. Aprendi que outras pessoas podem cuidar muito bem da Mariana e que isso é OK. Que a minha filha pode aceitar a presença de outras pessoas, pode conviver com outras crianças e se sentir bem longe de mim. A MARIANA FICA MUITO BEM SEM MIM! Gente, tem coisa mais difícil pra mãe admitir, do que isso? Que o filho pode dar as costas pra ela e entrar feliz na sala da escolinha, sem mal dar um tchauzinho passar a tarde longe e super bem?!

Ao contrário do que eu sempre imaginei, eu não derrubei nenhuma lagrimazinha. Porque eu sei que a Mari está bem, num lugar que escolhemos, por opção nossa. Definitivamente a minha experiência como mãe sempre me surpreende. Me vejo em lugares e fazendo coisas que eu nunca pensei fazer. Eu não sou a mãe que eu sonhei. Que bom!

3 ideias sobre “Mari vai para a creche!

  1. Que ótimo que a Mari se adaptou bem a creche. Com certeza para ela vai ser um grande aprendizado. 🙂

  2. Oi Hellen! Obrigada por comentar! Realmente eles precisam conviver com outras crianças e isso pesou muito na nossa decisão. Um beijo grande!

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