Minha experiência de amamentação: quando leite demais é um problema

Na minha gestação a primeira mudança no meu corpo foram os seios. Começaram a crescer e eu perdi todos os meus sutiãs. No final da gestação eles já tinham triplicado de tamanho, sem exagero. Talvez por isso eu alimentava em mim a certeza de que eu conseguiria amamentar. Minha mãe amamentou bastante também e me contava que tinha muito leite.

Quando a Mariana nasceu, eu demorei mais ou menos uma hora e meia para estar com ela no quarto e finalmente oferecer o seio. De imediato ela não se interessou, mas na madrugada ela começou a pegar. A enfermeira aparecia no quarto e perguntava se eu precisava de ajuda e eu dispensava. Pra mim estava tudo certo, ela pegava meu seio e não chorava. E eu via que saíam gotinhas de colostro, então tudo ok.

Quando o meu leite desceu, uns 3 dias depois, meus seios encheram muito. Ficavam até pesados e duros. Recebi a visita da Katya na ocasião e ela me ensinou a massagear o seio e ordenhar um pouquinho do leite, para facilitar a pega e evitar que o leite ‘empedrasse’ no seio. A Mariana era uma bebê muito calma, pegava o peito numa boa, ganhou peso certinho, íamos muito bem.

O que eu não sabia era que o simples fato de ter muito leite não era o suficiente para ter sucesso na amamentação. E quando a Mariana tinha 1 mês e meio eu comecei a sentir muita dor no seio direito. O peito latejava, ardia, queimava. Eu chorava e não queria oferecer a mama dolorida para ela. Falei com a Katya e ela me orientou a procurar o banco de leite.

Eu achava que a pega da Mariana estava errada e que era isso que tinha ferido o meu seio. Ás vezes ela mamava dando estalinhos, o que indicava que estava entrando ar entre os lábios dela e o meu seio. Ela preferia o seio esquerdo, que era menor, e quando pegava o direito começava a sessão de estalinhos e ardor na mama.

Cheguei no Banco de Leite do Hospital Evangélico com o seio direito duro de leite. A enfermeira do banco, a Iva, me recebeu, conversamos e ela me examinou. Me explicou que o que eu tinha era Candidíase Mamária. A pega da Mariana era boa, apesar dos estalinhos. Mas a areola estava até lisa e brilhosa, esbranquiçada, por causa do fungo. A Iva ordenhou minha mama, colocamos a bombinha elétrica e esvaziamos. Ela me ensinou como tratar a mama e marcamos um retorno para a semana seguinte.

A ideia era poupar o seio direito, esgotando com uma bombinha elétrica e ir tratando até que eu conseguisse oferecer para a Mariana sem dor. Eu lavava o seio com solução de bicarbonato, tentava pegar sol nas mamas e ficava sem blusa quando podia. Em uma semana o seio estava bem melhor e eu e a Iva seguimos tentando acabar com os estalinhos da Mariana.

Eu tinha muito leite e sofria muitos vazamentos. Se a noite a Mariana dormisse um pouco mais o leite vazava a ponto de encharcar pijama, lençol, tudo. Até joguei um travesseiro fora por conta do vazamento noturno. Eu dormia com uma fralda de tecido dentro do sutiã, porque mais nada absorvia tanto líquido. Quando a Mariana pegava uma mama, a outra pingava leite.

Quando a Mariana fez 2 meses, no Carnaval, o seio direito voltou a doer! Pensei que a candidíase tinha voltado e fui parar no pronto atendimento de uma maternidade. A médica me examinou e disse que eu não tinha mais a candidíase, mas que eu estava com ingurgitamento mamário, que é o nome do que popularmente chamamos de ‘leite empedrado’. Me passou um antibiótico e um remédio para suportar a dor.

Eu estava poupando a mama direita e o tanto que eu ordenhava não era o suficiente para esvaziar. Eu tinha leite em excesso e não tinha me dado conta disso. Sobrava leite no seio e essa sobra ia endurecendo, formando ‘pedras’, que inflamavam e doíam absurdamente. Foram dias difíceis, de muitas incertezas, medo, angústia. O Marcos ali do meu lado sem saber o que fazer, o que falar. As lágrimas desciam sem fim.

Com a ajuda da Iva eu descobri a minha cura: a doação de leite! Passei a ordenhar a mama direita todas as manhãs. Era um ritual: acordava antes da Mariana, às 6h da manhã, prendia os cabelos, higienizava as mãos e as mamas, colocava máscara e touca, pegava a ordenhadeira que eu tinha esterilizado na noite anterior, sentava no sofá e ordenhava. Em poucos minutos já tirava 80, 100 ml de leite. Quando a Mariana acordava eu oferecia o seio esquerdo e ela mamava até esvaziar. Na mamada seguinte ela pegava o direito, que já estava menos cheio, e esgotava também.

Doar o meu leite me ajudou física e emocionalmente. Fomos assim até a Mariana completar 4 meses, quando a minha produção de leite diminuiu e se adequou à necessidade dela. Confesso que, quando percebi que o leite não sobrava mais, fiquei um pouco chateada, mas entendi que era mais um ciclo se encerrando. Não tínhamos mais vazamentos, não tinha mais o peito pesado e latejando, mas também não tinha mais o efeito siliconado lindo, turbinado naturalmente! rsrsrsrs

Depois disso a amamentação seguiu prazerosa. Conseguimos o aleitamento exclusivo até 6 meses e até hoje seguimos em livre demanda e sem bicos artificiais. A Mariana não usa mamadeira nem para água. Confesso que na madrugada, às vezes, me sinto cansada de dar o seio, mas o carinho com que ela se alimenta do meu leite é impagável.

Confesso que tive muitos momentos de dúvida, principalmente quando a Mariana deixou de dormir a noite toda e queria ficar pendurada em mim nos saltos de desenvolvimento e crescimento. Pensei em oferecer mamadeira, naquela ilusão de pensar que se ela tomasse mais leite talvez dormisse melhor. Nas noites em que meus mamilos doíam de tanto ela sugar eu pensei muitas vezes que uma chupeta me ajudaria. Mas pela manhã, depois de dormir um pouco, essas dúvidas sumiam e a certeza de que eu estava fazendo o melhor pela minha filha se afirmava.

Não julgo as mães que não amamentam, mas fico muito triste quando vejo a falta de informação das mulheres. Mais triste ainda quando sei de profissionais de saúde que não apoiam o aleitamento materno, não orientam as mães corretamente, causando desmame precoce. Muitas querem amamentar e não conseguem por falta de apoio (do marido, da família, do pediatra).

Não sei até quando a Mariana vai mamar, mas a minha intenção é que o aleitamento se estenda por um bom tempo ainda. Leite materno é muito prático! Não preciso carregar água, fórmula e mamadeira na minha bolsa. É econômico, higiênico, balanceado. Eu amo amamentar e aconselho todas as mulheres que puderem e quiserem amamentar que o façam. Leite é amor líquido.

A seguir você pode conferir fotos lindas onde eu amamento a Mariana. <3

Amamentando na maternidade

Amamentando na maternidade

Amamentando Mariana aos 6 meses

Amamentando Mariana aos 6 meses

Amamentando Mariana aos 9 meses

Amamentando Mariana aos 9 meses

2 ideias sobre “Minha experiência de amamentação: quando leite demais é um problema

  1. Amiga adoro ler seu blog, me faz recordar de tudo que passei tbm com o João Lucas, aos 9 dias de nascido tive que ir ao banco de leito no Materno Infantil de Goiânia pois também tive tanto leite que o meu seio tbm empedrou, o João mamava somente no bico do peito e com isso nao conseguia esvazia a minha mama, lá fiz a ordenha aprendi a colocar o João para pegar o seio corretamente e conversando com a enfermeira descobri que o xixi cor de telha dele já deveria ter parado mas nao foi o que aconteceu com isso fui ao pronto socorro com ele e descobrir que ele estava desidratado por isso o xixi com rachas de sangue não parava, sinal que a bexiga e a uretra ainda não estavam limpinhas, ressaltando que com 5 dias de nascido ele voltou a pediatra que o pegou no parto e ela não viu que meu príncipe estava desidratado, o João só queria dormir e quando mamava logo dormia de cansado pois estava fraquinho, foi ai que tive a consciência plena do quao importante e ter uma boa pediatra acompanhando meu filho, então decidi mudar de pediatra e hoje estou muito feliz com minha decisão, o João Lucas esta com 1ano e com seu desenvolvimento normal. Amo amamentar meu filhote realmente é um momento meu e dele e isso não tem preço!!!!
    Tammy saudades de vc,se cuida e fica com Deus!!!!Te adoro muito apesar da distância… Bjo

    • Oi Kamyla, fico muito feliz em saber que você lê o blog! Também sinto muita saudade da nossa amizade!
      Eu também mudei de pediatra quando a Mariana tinha 4 meses, porque ele não apoiava amamentação. Sua situação foi muito grave, imagino o susto!
      Amamentar é uma bênção, parabéns! Beijos!

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